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Família

A família e o idoso – Difícil decisão

A família e o idoso – Difícil Decisão

Somos todos filhos, netos, irmãos, sobrinhos durante grande parte de nossa vida. Estamos preocupados com nossa estrada, nossos projetos, nosso futuro,  nossos sonhos. Toda uma vida construída tendo como base o ensinamento de nossos pais,  tios e avós. Não houve um preparo, um planejamento para a vida construída atrás de nós.

De repente somos chamados para olhar para traz, grandes novidades, grandes surpresas…

Assim, o século XXI nos surpreende com a difícil decisão de cuidar de nossos velhos, que se tornaram uma grande diversidade. São diferentes porque é o resultado de histórias e caminhos com características específicas. Coisas do ser humano, sempre únicos e especiais.

Não existe uma cartilha de como cuidar do vovô de 85 anos, ou como cuidar da titia de 98. Não existe um consenso como nos relatos infantis, de acordo com a faixa etária. Estamos trabalhando, viajando , estudando e… Recebemos um telefonema inédito: “ sua mãe precisa de você!”, ” seu pai sumiu, saiu e não voltou…” ou ainda  “sua tia brigou com a empregada e não aceita falar com ninguém, só com você…”

Mas você está em outra cidade, numa reunião importante. O que fazer?

Exatamente desta forma as pessoas, de modo geral, tem o primeiro contato com os problemas do envelhecimento no seu sistema familiar.

Primeiro passo, entender o que realmente aconteceu. Tomar pé da situação. Descobrir qual o lugar de cada um no processo, qual o meu papel e minha importância. Praticamente olhar com um novo olhar! Sair da posição de filho, neto, irmão ou outro parentesco para checar a real necessidade daquele ser envelhecido, para descobrir onde foi que ele se perdeu, quando e para onde está caminhando neste momento. Isto mesmo, infelizmente, e com freqüência, descobre-se tarde demais…

Neste impasse, não é necessário chorar o leite derramado, há muito que fazer para se preocupar com arrependimentos ou suposições. Deste modo, o melhor é se posicionar com o que ainda pode ser feito. A vida é resultado de atitudes e quando conseguimos que sejam assertivas, o caminho se torna mais leve e a vida mais fluente.

A ferramenta mais útil deste momento para o grupo familiar é o olhar:

1º olhar a realidade, somente de posse da realidade podemos agir, ajudar, resolver impasses. Neste momento devemos deixar de lado algumas crenças pessoais que foram construídas em nossa historia junto a este idoso em questão.

2º olhar o contexto atual. Descobrimos rapidamente que estávamos distante deste ambiente e, fomos pegos de surpresa. Muita coisa aconteceu e precisamos estar a par dos novos tempos. Isto é, a vida e a rotina já não acontecem como estávamos pensando.

3º olhar amoroso, pois, com toda certeza, alguém de nosso grupo familiar, esteve envolvido com o processo de envelhecimento de nosso ente querido e, somente agora pede socorro. Isto significa que já fez várias tentativas  e está na fase do cansaço, da desistência.

4º olhar de compreensão, desenvolver a capacidade de sentir com a outra pessoa, em outras palavras, é a capacidade de experimentar o mesmo que o outro está experimentando. É uma espécie de solidariedade na dor e no sofrimento.

5º olhar tranqüilo, acreditar que existe a possibilidade de encontrar soluções.

6º olhar técnico, buscar profissionais que esclareçam o quadro clínico, receber informações práticas e experimentar novas soluções. Lembrando que, por ser uma novidade do século, todo o caminho é de ensaio e erros. Em cada erro buscar uma nova tentativa e em cada acerto festejar uma vitória.

7º olhar para as prováveis decisões a serem tomadas, com calma, com parcimônia, lembrando que as tomadas de decisões são fundamentadas no direito de ir vir, de revisão de escolhas. Cada nova experiência leva o ser humano a condição de potencializar novas descobertas e novos desafios, num crescimento constante e com a liberdade de ser e tornar a ser.

De posse de este novo olhar, deste novo caminho, a conseqüência imediata é o reencontro do grupo familiar. Novas descobertas, novos amores, novas amizades dentro deste sistema. Então, este envelhecimento não existe em vão. Vem com novas propostas e novo aprendizado. É ponto pacífico, lembrarmos que  este processo é doloroso, muitas vezes triste, angustiante, carregado de mágoas, revoltas que precisam ser reelaboradas com ou sem ajuda. Com certeza mais leve se, com ajuda. A decisão final é sempre difícil, pensando bem nunca é final enquanto durar o processo.

Vivendo e aprendendo com o envelhecimento de nossos pais, avós e tios, vamos aprender a processar o nosso próprio envelhecimento.

E… Assim caminha humanidade…

MARIA CANDIDA DOS SANTOS
FUNDADORA
MAIORIDADE ESPAÇO DE CONVIVÊNCIA

 

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