SIGA:
Busca:

Depoimento

 

Parabéns, Maioridade, pela sua maioridade.


Lembro-me do pioneirismo da ideia de fazer a casa. Da ousadia da Maria Candida em insistir que seria possível, saudável e desejável que os idosos saíssem de casa para espaços destinados a eles sob os cuidados de terceiros. Como assim? Foi abrir picada. 

Naquele tempo, entregar os idosos aos cuidados de outros era reconhecer-se incapaz de cuidar deles. Afinal, lugar de aposentado é no aposento, e o idoso tinha mais é que aquietar-se, “baixar o facho” e não se expor. 

A família não sabia como lidar com essa inquietação do idoso saudável que agora teria para onde ir e onde ficar parte do dia ou todos os dias. Também não queria ver-se exposta ou ver expostos os problemas de abandono, questões de dinheiro, as neuroses e a depressão do seu velho e a exaustão e falta de espaço da família.

Era tudo muito novo. Não existia nada igual no Brasil. A Maioridade, Cândida, na verdade, estava criando uma cultura: a de cuidar do velho fora de casa. Foi preciso cuidar do idoso, acolher a família, formar o cuidador.

A casa, inicialmente na rua Três Corações, acompanhou a história do reconhecimento da velhice no país. Primeiro, a criação de um espaço dia, depois a República para que passassem também as noites, eventualmente. Depois o acolhimento ao idoso acamado.

Visionária e determinada, Cândida não só tinha um projeto escrito, quando me procurou pela primeira vez para auxiliá-la com a comunicação da casa, como havia feito uma pesquisa de mercado pela CP2, empresa especializada e renomada. Uma ideia na cabeça e pés firmados no chão. 

Estive lá e acompanhei momentos incríveis. A escolha do pessoal, os primeiros clientes, o impensável e inovador sistema de transporte – lindos carros personalizados com a marca da casa, o primeiro motorista, a qualidade da alimentação e a beleza da mesa, as atividades da casa, a recepção à imprensa. Muita história para contar sobre cada uma dessas coisas.

Foi fácil fazer a comunicação da casa. Para mim, um “case” de sucesso. A visionária idealizadora, Candida, não só era sensível ao marketing e à assessoria de imprensa, como se antecipava, criava e provia condições para que a relação da casa com seus diversos públicos, incluindo a imprensa, fosse profissionalíssima. Não havia impossíveis para ela.

Muito há para dizer sobre a cultura de acolhimento, envolvimento, responsabilidade e amor que a casa implantou e mantém. Muitos profissionais foram formados ali: parcerias sólidas e inovadoras foram constituídas. Tudo era feito pela primeira vez. Não havia modelo anterior. 

A Maioridade foi escola. Foi também espaço para despontar de talentos. Foi local de retomada de carreiras. Foi vitrine para o mercado.
Quantas ideias sobrevivem a 21 anos? As estatísticas estão aí. Mas, embora só a Cândida soubesse na época, a Maioridade veio com vocação para perenizar-se. 

Consegue imaginar quantas 24 horas no ar, quanto murro em ponta de faca, quanto olhar de incompreensão? Hoje está aí, 21 anos, cada vez melhor sem perder sua filosofia, profissional sem deixar de ser acolhedora e familiar. Especializada, sem deixar de ser holística. 

Parabéns a todos que diariamente fazem nova essa experiência.

Melânia Costa

Publicitária, Professora.

 

Comentários